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Gestão urbana e meio ambiente

Nas campanhas dos candidatos para as eleições municipais chamou mais uma vez atenção
o pouco destaque que tiveram as questões ambientais. Ao invés de incorporarem o assunto
como tema transversal os candidatos se limitaram a atacar os sintomas – as péssimas
condições do transporte, a falta de parques, as enchentes, e outros males que nos afetam há
décadas – ao invés de atacar as causas, trazendo a ecologia para a gestão das cidades.

Um dos maiores problemas nas médias e grandes cidades brasileiras, a questão da mobilidade
da população, tomou proporções tais, que se transformou em fator gerador de grandes
impactos ambientais e de problemas de saúde para a população. Historicamente, o transporte
urbano sempre foi tratado de maneira simplista, sem planejamento de longo prazo. As soluções
sempre foram as de mais fácil introdução; ampliar o uso do ônibus e do automóvel particular,
demandando menos recursos e tempo de implantação e rendendo dividendos já nas eleições
seguintes. Cidades como Londres, Moscou e Paris, iniciaram a construção de seus sistemas
metroviários na primeira década do século XX, enquanto que no Brasil a primeira linha foi
iniciada nos anos 1970, em São Paulo.

Os parques públicos, construídos na maioria das grandes cidades principalmente para
servirem de área de lazer e contato com o verde para as classes trabalhadoras, também
não fizeram parte do planejamento das nossas administrações municipais. O problema é
nítido nas periferias das grandes cidades, onde o poder público raramente considerou o
lazer de seus moradores, formados por trabalhadores assalariados de baixa renda. A falta de
parques e outros locais de lazer e cultura é um dos principais fatores da sensação de falta de
perspectivas da população que habita os bairros mais afastados. Iniciativas recentes como a
utilização de escolas para tais atividades são ações paliativas.

Todo verão voltam as enchentes, que afetam a vida de centenas de milhares de cidadãos. Não
se trata, evidentemente, de um fenômeno que só ocorre nas cidades brasileiras. Várias cidades
da Europa e dos Estados Unidos são regularmente afetadas por enchentes, provocadas
principalmente pelo degelo da primavera, aumentando o volume dos rios. No Brasil o problema
sempre foi empurrado com a barriga, tratado como fato inevitável, “acidente da natureza”
(desculpa cara a uma cultura ainda supersticiosa), deixando a população a sua própria sorte
– coincidentemente sempre os mais pobres. Investimentos na previsão e na prevenção
de catástrofes ainda são pouco priorizadas, já que os afetados têm pouca força política e
econômica.

De uma maneira geral os candidatos e seus partidos ainda não se deram conta de que
muitas das mazelas de nossas cidades poderiam ser minoradas se o aspecto ambiental
fosse considerado no planejamento urbano. Ao longo da história das cidades acumularam-se
problemas, que deram origem a outros. A intervenção do poder público sempre foi pontual, o
que pouco contribui para dar um novo direcionamento ao crescimento urbano e às atividades
que se exercem na cidade. A situação chegou a tal ponto, que já não existe mais um conjunto
de soluções que possam melhorar em pouco tempo a condição das cidades. O que podemos
esperar é que um sequencia de boas administrações comece gradualmente a ordenar o caos
que se instalou.

Ricardo Rose é jornalista, graduado em filosofia e pós-graduado em gestão ambiental e sociologia. Atua desde 1992 nos setores de meio ambiente e energia, na área de marketing de tecnologias. É diretor de meio ambiente da Câmara Brasil-Alemanha e editor do blog “Da natureza e da cultura” (www.danaturezaedacultura.blogspot.com)

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Escrito por Roberto Mangraviti

Economista e Facility Manager em Sustentabilidade. Editor, diretor e apresentador do Programa Sustentahabilidade pela WEBTV. Palestrante, Moderador de Seminários Internacionais de Eficiência Energética, Consultor da ADASP- Associação dos Distribuidores e Atacadistas do Estado de São Paulo e colunista do site do Instituto de Engenharia de São Paulo.

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